Curiosidades

A origem dos Blocos de Carnaval de rua

logotipo oficial da prefeitura
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O carnaval de SP está de cara nova. Já há alguns anos percebemos que as ruas da cidade estão sendo completamente tomadas de música e alegria com a volta dos tradicionais bloquinhos de carnaval de rua.

Afinal, antes mesmo de surgirem as escolas de samba, os bairros negros da cidade já tinham as suas manifestações carnavalescas chamadas de Cordões que foram a evolução de uma festa portuguesa chamada de Entrudo que os escravos praticavam na época do Brasil Colônia.

Ilustração sobre o entrudo
Ilustração sobre o entrudo

O Entrudo não tinha música cantada, apenas instrumentos de percussão vindos de religiões africanas. Suas brincadeiras consistiam em sair pelas ruas com o rosto pintado e jogar farinha e bolinhas de água (algumas com água de cheiro outras com água suja) nas pessoas que passavam na rua. Muitos nobres achavam que a festa era um ataque aos bons costumes e a festa chegou até a ser proibida, mas dizem que até Dom Pedro gostava da brincadeira.

Já a realeza e os nobres da época comemoravam o carnaval com bailes de máscaras. Alguns acreditam que a festa começou a ganhar mais adoradores através dos bailes promovidos pela Marquesa de Santos em seu palacete, que depois de muita bebedeira saiam cantando pelas ruas.

Aquarela de Augustus Earle, c.1822
Aquarela de Augustus Earle, c.1822

O tempo passou e a festa evoluiu junto com a própria sociedade e os seus aspetos sociais e políticos. O primeiro Cordão foi criado no final do século 19, por Dionísio Barbosa e seus familiares que desfilavam pela cidade vestidas com camisas verdes, calças brancas e chapéus de palha. O grupo foi batizado de Grupo Carnavalesco Barra Funda, que mais tarde viria a ser conhecido como “Camisa Verde e Branco”.

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Foi então que os Cordões começaram a surgir em vários bairros espalhados pela cidade, sem qualquer tipo de organização pública.  Nessa época surgiu também a primeira marchinha de carnaval, escrita por Chiquinha Gonzaga, para o cordão carnavalesco “Rosa de Ouro”, a música ficou conhecida como “Ó Abre Alas”.

Nos anos 1930 a prefeitura começou a organizar concursos entre os grupos. Mas foi nos anos 1960 que o Carnaval paulistano de fato se oficializou com os desfiles de escolas de samba. Com isso, o carnaval de rua foi enfraquecendo. Alguns simplesmente pararam e outros estavam acontecendo de forma “amadora” até meados de 2010, quando a festa voltou a ganhar força com cada vez mais foliões.

Com isso, ganharam o apoio da Prefeita que só neste ano recebeu a inscrição de 355 blocos para desfilar no período de 29 de janeiro a 14 de fevereiro. Com a inscrição os blocos passaram a contar com alvará de desfile, banheiros químicos, ambulatório e uma infraestrutura completa.

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Bloco Vou de Táxi com sucessos dos anos 90 – Largo da Batata Pinheiros

Além dos blocos paulistas, a cidade tem recebidos muitos blocos cariocas que fazem a festa da galera. E olha que tem bloco para todos os gostos e estilos, tem o carnarock com a transformação de músicas do rock and roll em marchinhas, tem os clássicos que só tocam as famosas marchinhas antigas, tem bloco punk, político, de casamento, que fazem homenagem a grandes artistas da MPB e muito mais.

Como mencionamos acima, a festa vai até dia 14 de fevereiro. Para conferir os blocos que ainda irão festejar nas ruas da capital paulista é só clicar aqui nessa lista marota: https://www.facebook.com/events/762698357169142/

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Bloco do Sargento Pimenta com músicas do Beatles – Av. Tiradentes

Qual o seu preferido? Conta para a gente.

Thais Cunha

Sobre Thais Cunha

Sócio-fundadora do SP2GO. Amante da cidade, da sua história e das suas peculiaridades. Gosta de aproveitar tudo o que a cidade oferece e de vasculhar todos os seus cantinhos. Uma paulista que simplesmente não consegue se imaginar morando em outra cidade.

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